quinta-feira, 10 de maio de 2018

Lençóis de ontem e hoje


Quem passou  por Lençóis Paulista até a década de oitenta e depois nunca mais voltou, hoje não reconhece a cidade.  Até aquela época, os únicos bairros que existiam à margem direita do Córrego da Prata eram Cecap (antiga) e Cachoeirinha, os demais como Maria Luiza, Caju, Açaí, Monte Azul, João Paccola,  Príncipe e outros, nasceram bem depois dos anos 80.   

Previsões políticas


Meu avô tinha um amigo que além de benzedeiro, tocador de viola e amolador de tesoura era craque em fazer previsões políticas. A casa dele sempre recebia aspirantes a cargos eletivos. A fama do cara era tanta que até um agente de Jânio Quadros teria vindo em busca de orientações. Um tronco de aroeira preta, sob um frondoso angico do campo era seu escritório. Era ali que ele atendia sua clientela. Corria os anos da década de 60, e as eleições municipais se aproximavam quando um rapaz de meia idade se aproximou de Tôta (seu apelido) e pediu-lhe algumas orientações.

As frustrações e saga de Juvenal

Lógico que Juvenal, como qualquer criança da sua idade, tinha sonhos.  Primeiro, ele queria estudar, queria ser padre, mas desistiu da ideia porque para ser padre ele teria de adotar o celibato e essa condição não lhe agradava nem um pouco. Decidiu, depois,  que seria artista de cinema. Abandonou também aquela volúpia de ir para a cidade grande tentar a sorte.

Água santa....

Entra prefeito, saí prefeito e ela está lá. Já foi reformada, ou melhor, pintada, umas novecentas e noventa e nove vezes. É impressionante como os prefeitos gostam de passar uma caiação na coitada. Há época em que ela fica meio esquecida, suja, fétida, relegada a segundo plano! Depois, parece que dá uma luz na cabeça de alguém e lá vai a brocha com nova demão de caiação. Pronto! Agora, por mais algum tempo a danada fica linda, maquiada, produzida, como uma noiva prestes a dizer o ‘sim’.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Inácio Mudo, carreiro e benzedor


Tem um humorista na TV que diz: “...quem não tem dinheiro, conta história...”. Como eu não tenho grana.... No século passado, sobretudo no primeiro quarto dele, havia muitos benzedeiros, parteiras e rezadeiras. Era na zona rural onde se encontrava a maioria deles. Segundo os antigos, os curandeiros tinham a panaceia para males como mau-olhado, caxumba, bucho virado, cobreiro, íngua,

Realizado, bondoso e infeliz!

Ele era um homem bem sucedido, tinha diversas empresas, fazendas, muitos funcionários, frota de veículos do ano, imóveis alugados e uma situação financeira estável, tranquila. Tinha uma família bem formada. Esposa dedicada aos afazeres do lar, prendada e atenciosa com filhos. Os dois herdeiros do casal já começavam a caminhar por conta própria, pois tinham terminado a faculdade e o mais velho já morava no exterior onde concluía seu curso de doutorado.

Lembranças de boleiros do passado

Final de tarde de um longínquo dia de 1958, um garoto amante de futebol vai ao maior campo da cidade apreciar treinamentos dos atletas. No gol de entrada do estádio um goleiro com uniforme cinza olha firme para a bola que está na marca da cal. Na meia lua da grande área, mãos na cintura, batendo com o bico da chuteira no chão está o cobrador. Imparato, grande jogador do CAL está prestes a enfiar o pé na bola e balançar a rede da cidadela defendida por Romaninho (Romano Marcolino).