quinta-feira, 26 de abril de 2018

Pessoas fundamentais para a humanidade



Já imaginou se o mundo não conhecesse pessoas como Mártir Luther King, grande líder negro que encabeçou o movimento dos direitos civis dos negros estadunidenses? O que seria dos indianos se a mãe de Mohandas Karamchand Gandhi (Mahatma Gandhi) tivesse praticado aborto? O que aconteceria com o mundo se Maria não emprestasse o seu Santo Ventre para a geração do Criador? Se Santa Mônica não rezasse tanto para a conversão de seu filho Santo Agostinho? O que aconteceria com a África se Nelson Mandela não tivesse resistido a três décadas de prisão? 

Zé.... só Zé!


Ele era tão pacato, retraído e econômico nas palavras que até irritava aqueles que com ele tentavam conversar. Ele era o “Zé... só Zé”, econômico até no nome. - .."Qual é o seu nome..?” - “..meu nome é Zé... só Zé” respondia. Nunca frequentou salas de aulas, jamais leu um livro e não sabia escrever o próprio nome.  Contudo, o fato de ele ter pouquíssima, ou quase nenhuma escolaridade não o impedia de pensar em prosperar, subir na vida, arrumar uma

Vítima de uma sociedade desestruturada

O frio e a umidade penetram na carne e se alojam nos ossos. O silêncio quase sepulcral parece tornar a noite ainda mais fantasmagórica. O vento gelado  assovia no telhado dando a impressão que almas penadas entoam um hino fúnebre.  Os ponteiros do relógio lá no fim do corredor parecem ter preguiça, andam devagar. É mais um fim de semana nesse inferno. Lá num cantinho, de cócoras, ela soluça e reclama da sorte.

Tremendo engano !

Naquela noite fria e chuvosa, como fazia nos últimos três anos, ele voltava da escola onde terminava o curso de tecnologia mecânica. Cabeça cheia de planos, sonhos e aspirações, caminhava apressadamente em direção à sua casa. Dois estampidos quebram o silêncio da noite. Um corpo estatela-se ao chão. Uma poça de sangue marca o asfalto sujo. Mais um número. Mais um registro nas estatísticas. O ser humano virou número, estatística. Pobre mãe se derrete em lágrimas. Familiares reclamam e protestam contra as autoridades.

Terrorista azarado

Um terrorista planejou destruir alguns prédios e monumentos brasileiros. Durante meses ele arquitetou, quebrou a cabeça para que nada desse errado. No dia marcado, tomou um avião e rumou para o Brasil. A viagem foi tranquila, mas na hora do avião pousar, um problema no aeroporto atrasou em uma hora a aterrissagem.
No momento do desembarque chovia muito e os taxistas não estavam “pegando” corrida para o centro da cidade.

Saudades, não! Boas lembranças, sim!

Grande parte da minha juventude foi vivida lá pros lados da Barra Grande, região bastante povoada nos anos 60, 70. Digo sempre a meus amigos que não tenho saudade de nada mas, confesso que guardo lindas e curiosas recordações. Em 1954, fui levado à escola pela minha mãe. Era o meu primeiro dia de aula naquela escolinha que ficava próximo à rodovia Mal Rondon. Lá estudei três anos, porque a quarta série só existia aqui na cidade.

Reviravolta na vida de Juvenal

Naquela época a vida tava dura pra todo mundo. Como sempre, quem tinha grana tava de boa, mas quem não tinha era obrigado a ralar doze horas por dia pra trazer o sustento para casa. Como qualquer contemporâneo seu, Juvenal saía cedo e batia concreto com enxada o dia todo para sustentar os quatro filhos e a esposa grávida de 5 meses.
Semianalfabeto, pouca estatura, magro, desdentado e desprovido de qualquer beleza física, ele levava a vida de forma simples, porém honrada.

Reuniões na lanchonete Tio Patinhas


Dezembro de 2012, véspera de natal, segundona brava (o natal caiu na terça) e minha mulher decidiu que deveria comprar mais algumas lembrancinhas. Ela, meu filho mais velho e eu fomos ao centro da cidade onde a possibilidade de se encontrar variedades de quinquilharias é bem maior  que na periferia, (se é que eu posso dizer que na minha cidade tem periferia). Enquanto mãe e filho saíram para adquirir os presentes que faltavam,  eu decidi entrar em uma relojoaria que  fica na rua Coronel Joaquim Gabriel, ao lado da Caixa Estadual  (hoje, Banco do Brasil).

Prosa entre adolescentes

- Lucinha, que você está lendo?
- Este livro que fala sobre Lençóis!
- Poxa, legal. Meu pai tem um livro desses, ou parecido com esse lá em casa.
- Seu pai gosta de ler sobre a história da cidade, Pedrinho?
- Gostava, mas agora ele não enxerga muito bem e deixou de ler.
- O que é que o seu pai tem nos olhos?

O Limoeiro de Uris


Nos idos de 1963, um grupo de amigos resolveu passar uma tarde às margens do Rio Piracema, na propriedade da Família Barros, à época. Três integrantes do grupo, Uris Paccola, Alberto Giovanetti e Luiz Biral resolveram dar umas voltas pelas cercanias da sede da fazenda, ou melhor, do rancho onde estavam temporariamente hospedados. Na espessa vegetação, semearam algumas semente de limão-rosa. Passaram-se 30 anos sem que nenhum deles voltasse àquele local.

Cemitérios em Lençóis

Conta-se que até meados do século 19 o terreno onde se encontra hoje a biblioteca municipal, na praça central da cidade, serviu de cemitério. Segundo relatos de historiadores, os defuntos, sobretudo os que vinham da zona rural, eram levados para o local e enterrados pelos próprios familiares.

Assíduo frequentador da Câmara

Na foto, vereadores da década de 1960. Identifica-se nessa imagem Arlindo Torres da Silva, Florindo Coneglian, Dionísio Ceschini, Herminio Jacon, entre outros.
Hoje, este agora veterano jornalista, não com a mesma frequência, mas continua acompanhando os trabalhos dos nobres é lídimos representantes do povo. Lógico que não se pode fazer comparação alguma entre os vereadores de outrora com os atuais.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Pessoa rara

Pouca estatura, cabelos escassos, corpo  acima do peso, nariz longo e achatado, barriga avantajada, e para complicar, nunca frequentara uma escola. Porém, alguns detalhes naquele rascunho de gente chamavam a atenção. Além da facilidade em lidar com números e contar histórias, era dotado de uma voz que encantava aqueles que se propunham ouvi-lo. Aos domingos, dez minutos antes do início da missa, lá estava ele no primeiro banco da igreja.

Perambulando pelas alamedas da saudade!


Ficou linda! Sem dúvidas a praça central de nossa cidade ficou maravilhosa. Passo ao lado dela todo santo dia e nunca paro para admirá-la um pouquinho. Hoje decidi  dar uma olhada em tudo. Deste ponto onde me encontro vejo como cenário de fundo a majestosa Matriz da Piedade (Santuário da Piedade). Poxa vida, como Lençóis mudou. 

O menino que sonhava em ser cavalo


Como qualquer menino da sua geração,  Nino jogava futebol, bolinha de gude, empinava pipa,  rodava pião e participava de outras brincadeiras inerentes à sua idade. Contudo, diferentemente de seus coleguinhas que sonhavam  ser cantor, jogador de futebol, galã de novela, médico, policial, bombeiro, entre outras atividades, Nino queria mesmo era ser um cavalo. Isso mesmo, ele queria ser um cavalo. Confidenciava a amigos que gostaria de ter nascido cavalo.

terça-feira, 24 de abril de 2018

Prisão perpétua


Ouço dizer que no mundo há leis para tudo. Até para se caminhar nas ruas há certas regras que devem ser obedecidas. Eu não entendo nada de leis, na verdade eu nem sei  ler, nunca  tive um livro, revista ou jornal à minha disposição, mas presto atenção em tudo aquilo que os humanos falam. Se a pessoa comete um delito leve, sem sombra de dúvidas deverá pagar pelo seu ato.

O Brasil em sonho.....ou em pesadelo!


Na noite passada, depois de um pesadelo, acordei assustado e confesso que um pouco extasiado com o Brasil que encontrei no meu sonho. Um presidente ditatorial havia se instalado em Brasília. O Congresso Nacional (Câmara e Senado) acabavam de fechar as portas deixando sem função 513 deputados e 81 senadores, mais os seus assessores, asseclas, aspones e afins. O País passava por profundas reformas.

Notícias de minha terra!

Queres notícias de minha terra? Pois bem, vou passar-te uma novidade que está encafifando os moradores. Lembra-te daquele tiozinho que morava em uma cabana escura à beira do lago, próximo ao capão de mato aonde os antigos diziam ser criadouro de saci?  Pois bem. Aquele velhinho desapareceu e ninguém tem ideia de seu paradeiro. Não morreu, pois não houve enterro. Não saiu da cidade, até porque ele não tinha dinheiro para passagem e não suportaria longas caminhadas. 

Natais de minha infância


Como ela era linda.... florida, perfumada e significativa. Com absoluto esmero, minha  mãe a ornamentava com fitas  rendadas e coloridas e com bordados que lembravam o nascimento do Menino Jesus. A tampa, era caprichosamente desenhada com traços alusivos à data máxima da cristandade.  No interior, eram depositados diversos  tipos de balas, caramelos, pirulitos e outras guloseimas que degustávamos com prazer.

Meu ídolo!



Todo mundo tem um ídolo, alguém que sirva de referência para toda a vida. Uns preferem grandes cantores, artistas, escritores, desportistas, políticos, pensadores, etc. Outros elegem pessoas anônimas, mas que deixam marcas indeléveis na vida de seus semelhantes. O meu ídolo atendia pelo nome de José. Pessoa simples, pouquíssima instrução escolar, mas de uma vida proba, irretocável. Apesar de semi-analfabeto, era dotado de uma inteligência ímpar, e “dava aulas” quando o assunto era geografia e história mundial. Ao pé da letra dizia a capital de todos os países mais conhecidos.

Lendas, estórias, crendices....


Antigos lençoenses contavam que no início do século 20 ouviram de uma Rádio do Rio de Janeiro, a notícia de que em Lençóis havia um “monstro” conhecido como “minhocão”. De acordo com as informações, o animal teria mais de 6 quilômetros de comprimento e estaria adormecido no subsolo da cidade e caso viesse a mover-se, derrubaria todos os prédios causando um acidente de grandes proporções.

Juvenal e a raposinha ferida

Na juventude  (*) Juvenal  teve lá suas malvadezas, sobretudo no trato com animais. Hoje, ele se comporta de maneira diferente daquela que o taxou de o mais peralta do bairro. Dia desses, em uma de suas caminhadas,  Juvenal deparou-se com uma raposinha que acabava de cair num buraco às margens de uma estrada de pouco movimento.

Figurinhas carimbadas

Em todos os lugares há sempre aquelas pessoas que se tornam figurinhas carimbadas e que passam a fazer  parte da história. Lençóis não é exceção. Posso citar aqui pelos menos três que são bem lembradas pelos moradores, sobretudo os mais antigos. Há muitos anos existia na cidade  um homem alto, forte, negro que atendia pelo nome de Pai João.  Ele morava nas proximidades da Cruz do Cigano que ficava nos altos da cidade, nas imediações

Festa de quinze anos


Na lateral do velho refrigerador, um calendário marcado com um xis  na maioria dos dias do mês de maio indicava que uma data importante se aproximava. Lia, menina de 14 anos e onze meses, aguardava  ansiosa pela chegada do dia vinte, afinal naquela data ela estaria deputando para a vida, pois completaria  15 anos de idade.

Esportes em Lençóis Paulista

Todo mundo percebe que a cidade de Lençóis Paulista está passando por uma revolução na área esportiva. O município  que já foi celeiro de grandes atletas - nativos ou adotivos -  após alguns anos de desleixo dos dirigentes municipais, volta a ocupar lugar de destaque no pódio nacional. Nos últimos dez meses, foram realizados

Espiga de milho


A maioria das crianças de seu mundo recebia presentes do Papai Noel. Filhos de pais abastados eram lembrados pelo bom velhinho e ganhavam até presentes caros como videogame,  smartphone, carrinho motorizado, boneca que anda, fala e toma banho.  Ela, porém, não tinha a mesma sorte. Sua mãe, com a saúde debilitada por grave enfermidade, tinha deixado

É duro ganhar dinheiro fácil!


É próprio do ser humano a busca por melhores condições de vida. Viajar, adquirir imóveis, jóias e veículos de última geração são os principais anseios da maioria, sem distinção de raça, credo ou condição escolar e social. Todos almejam dias melhores mas, para se tornar uma pessoa de posses não é tão simples como se imagina e sonha, sobretudo no Brasil onde a distribuição de renda é uma das mais injustas  do mundo.

Da glória ao fracasso

Sonhar com uma vida melhor, cursar faculdade, comprar roupas de marca, escolher uma profissão de respeito, viajar, conhecer lugares distantes era seu sonho de consumo.  Mas,  não havia muito a fazer. Apenas sonhar, pois seus pais eram paupérrimos e mal tinham o que comer. Dezessete anos  incompletos, morena, 55 quilos bem distribuídos no corpo de pouco mais de um metro e sessenta,  cabelos negros e olhos

Curiosidades e Mistérios!


Muita gente diz que há muitos mistérios entre o céu e a terra. Particularmente  não acredito em tudo, contudo,  não duvido de nada.  Só para ornamentar meu texto, vou citar alguns casos interessantes. Há muitos anos, no alto da Avenida 9 de Julho, próximo a um famoso clube, aconteceu uma chuva de cacos de tijolos assustando  moradores da região e noutra ocasião choveu pedaços de carne, e segundo quem presenciou, era de origem bovina. 

Cura pela fé!


Corria os anos 40 do século vinte, e os meios de locomoção na zona rural se restringiam a charretes, carrocinhas ou cavalo. Poucas pessoas dispunham de veículo automotor. Numa casinha humilde, no meio do mato, no sopé de uma pequena montanha, um cidadão lutava pela vida em seu leito de morte. Sofria com muitas dores e seu estado piorava a cada instante.

Consequências da falta de diálogo



A ideia era impressionar o maridão, mostrar que com um pouco de capricho e uma boa meia-sola, ela ainda daria pro gasto.  Deu um trato na cabeleira já bastante desgastada pelo implacável tempo, tirou as  cutículas e esmaltou as unhas, maquiou o rosto, depilou as axilas,  lambuzou-se de cremes e perfumes  que só são usados em ocasiões especiais e prostrou-se na porta da sala à espera do esposo.

Castigado pela ganância!


Como qualquer jovem da minha idade eu sonhei conquistar o mundo. Muito cedo, cheio de esperanças, parti para novas  plagas, sempre tendo em mente a aquisição de um carrão zero quilômetro, moto, casa bonita, roupas de grife, relógios, perfumes, entre outras ostentações que, teoricamente apenas descendentes de algumas dinastias abastadas possuem. Cruzei fronteiras, passei frio, tomei chuva e adormeci em calçadas sem nada comer, mas a minha obstinação pela fama, riqueza e poder estava  a cada dia mais aflorada.    

Aventuras amorosas

Até final da década de 1960, quem passava pela Avenida Brasil, nas imediações da Praça das Palmeiras (Prefeitura), notava  que na porta de algumas residências havia  uma plaquinha com os dizeres: "Casa de Família". Ocorre que,  naquele ponto da cidade estava instalada a Zona de Meretrício. Durante longos anos,  o local serviu como "espaço de diversão" não só para alguns cavalheiros natos, mas para aqueles que  por ventura viessem visitar a cidade.

Assim era a vida na roça nos anos 60!


Tarde chuvosa, duas e meia da tarde e junto com essa chuvinha  fina que cai, brotam as lembranças boas da minha  infância.  Já faz tempo, em tardes como essa, as pessoas lá da roça se abrigavam sob algum telhadinho improvisado e jogavam conversa fora. Futebol, pescaria, política, religião e outros temas faziam parte da pauta. O sítio do meu avô ficava ali nas proximidades

As frustrações e saga de Juvenal


Lógico que o Juvenal, como qualquer criança da sua idade, tinha sonhos.  Primeiro, ele queria estudar, queria ser padre, mas desistiu da idéia porque para ser padre ele teria de adotar o celibato e essa condição não lhe agradava nem um pouco. Decidiu, depois,  que seria artista de cinema. Abandonou também aquela volúpia de ir para a cidade grande tentar a sorte. Para ser artista de cinema ele teria de ser dotado de um porte fisco avantajado, situação impensável para um adolescente de pouco mais de um metro e cinquenta de altura e  55 quilos de peso.  Pensou em ser jogador de futebol, mas essa possibilidade foi descartada de imediato por causa da sua pouca estatura e do raquitismo. Mas, Juvenal era tinhoso.  Foi para uma “academia” e treinou boxe. Era o pior da turma, mas estava lá, perseverava, mas acabou sendo dispensado pelo treinador por causa da deficiência técnica. Mas ele tinha que ser alguma coisa na vida. Comprou um violão e começou a aprender os primeiros acordes. Não levava jeito pra coisa, mas insistiu, pois ele não poderia fracassar também nessa empreitada. Já  que não deu para ser padre, artista de cinema, ou jogador de futebol, o negócio era ser um cantor de sucesso, uma vez que essa atividade não exigia porte fisco e nem estatura elevada. E tinha mais uma vantagem: Depois de aprender umas musiquetas,  ele poderia sair à cata de algumas garotas, até porque,  ele ainda era debutante nesse aspecto. Juvenal, com 20 anos ainda era virgem, dá pra acreditar? Pois é.  A carreira de cantor também não deu certo e mais uma frustração se alojou na cabeça do coitado.  Lá na casa dos vinte e três anos, arrumou uma garota (louca) um pouco mais nova e casou-se com ela. Coitada da mocinha. Lupércia tinha que trabalhar em dois  empregos para sustentar Juvenal. Não que ele fosse vagabundo, não trabalhasse. Nada disso. Ele era bastante trabalhador, mas a sorte não lhe sorria de maneira nenhuma. Trabalhou de garçom, pedreiro, vendedor de livros, de baú da felicidade, bicheiro, jornaleiro,  e em mais uma gama de atividades, mas não parava mais de um mês em nenhum dos empregos. Decididamente, Juvenal era um cara sem sorte. Lupércia ficou grávida do primeiro filho. Coitada. Ela que já era feia pra burro, ficou bem pior com aquela barrigona, cabelos em desalinho e  roupa surrada. Mas continuava a trabalhar e trazer o sustento para a casa. Juvenal, a essa altura com mais de trinta anos nas costas, começou a tomar umas “biritas”  e chegar em casa com o pé redondo. Bêbado e sem grana, estava com a moral mais curta do que coice de porco. Com um filho pequeno no colo e outro na barriga, Lupércia percebeu que o seu marido era um caso perdido, que aquela situação era irreversível  e que a única possível solução era interná-lo num hospital psiquiátrico. Assim se fez e um mês depois lá vem Juvenal,  gordo, saradão, lustroso igual  leitão na ceva, cheio de novas ideais e planos para tirar a sua família daquela situação de extrema pobreza.  Só que, depois de tantos fracassos, nem ele estava convicto de que seus projetos vingassem.  O ácool, cigarro e algumas drogas ilícitas haviam comprometido um pouco a saúde de Juvenal e essa condição o impedia até de sair em busca de um emprego fixo. Juvenal tinha falhado em todas as suas investidas profissionais e até mesmo como marido, companheiro e amante tinha deixado a desejar por causa da sua famosa ejaculação precoce provocada pelo consumo de cachaça e cigarro. Mas, alguma coisa tinha que dar certo na vida de Juvenal. Já se passava uma década depois da sua última internação quando finalmente ele teve uma “brilhante” idéia. Agora sim. Agora ele ia ser um político respeitado na cidade. Começaria como vereador, depois prefeito, deputado e quem sabe até governador do estado, ou presidente do País. Por que não?! Ele tinha plenas condições. Não estudou, nunca gostou de ler, mas era um cara curioso, que prestava atenção em tudo à sua volta e de vez em quando “matava” uma pagininha de palavras cruzadas. Bom, agora nada poderia dar errado. Era só seguir direitinho o plano traçado que o sucesso finalmente lhe sorriria.  Lançou o seu nome como candidato a vereador de sua cidade e no dia da apuração dos votos veio a surpresa: Ninguém votou em Juvenal, nem ele próprio, nem a mulher dele, nem os dois filhos mais velhos... ninguém. ‘Caracas’, o que teria acontecido? Por que razão mais essa tristeza teria se alojado na vida de Juvenal. Será que ele merecia tanto? Que pecado grave terá cometido o pobre Juvenal para merecer tamanha decepção?  Juvenal andava até com uns pensamentos esdrúxulos, pensando besteiras a respeito de sua mísera existência, quando um  jovem juiz de direito solicitou a sua presença no fórum da cidade. Apreensivo, desconfiado e com uma baita dose de medo, foi ver o que o magistrado queria com ele. Certamente acabaria preso, porque dizem que as coisas ruins acontecem aos pares, mas Juvenal já estava acostumado às adversidades, afinal de contas, na vida dele, nada dava certo. O Juiz começou a conversa fazendo a seguinte pergunta:  “.. qual é o nome do senhor?..”  -  Ué doutor, eu sou o Juvenal.  “...Rapaz, o seu nome é Ernesto e Juvenal é um apelido de infância. Você, sua patroa e seus filhos nunca leram os documentos? O seu nome é Ernesto, e o seu tio que morava no nordeste morreu recentemente e como não tinha filhos deixou muitos bens para  você que é o único herdeiro legal. Outra coisa: Compre um terno novo para tomar posse na Câmara local porque o Juvenal não teve nenhum voto, mas o Ernesto foi o mais votado da cidade” concluiu o juiz.

Você que está lendo essa porcaria de texto mal escrito agora... Conhece alguém com o perfil do Juvenal? Ou melhor, do Ernesto?  Esse cara existiu. O autor do texto só trocou os nomes e tentou dar uma enfeitada, mas isso aconteceu numa cidadezinha não muito distante daqui. Pode acreditar.

Benedicto Blanco – Jornalista - MTb 24509

Água Santa..... Bebeu....


Entra prefeito, saí prefeito e lá está ela. Já foi reformada, ou melhor, pintada, umas novecentas  e noventa e nove vezes. É impressionante como os prefeitos gostam de passar uma caiação na coitada. Há época em que ela fica meio esquecida, suja, fétida, relegada ao ostracismo!  Depois, parece que dá uma luz na cabeça de alguém e lá vai a brocha com nova demão de caiação. Pronto! Agora, por mais algum tempo a danada fica linda, maquiada, produzida, como uma noiva prestes a dizer o ‘sim’. Mas, o implacável tempo se incumbe de desbotar suas feições e ela volta a ficar um bom tempo carrancuda, igual a um garoto que acaba de derrubar o pirulito no barro. Contudo, nem os mais insensíveis podem resistir aos seus encantos. Como uma pérola incrustada no mais alto relevo da coroa, ela permanece imponente, fazendo aquilo que há um século vem fazendo: matando a sede de todos que a procuram. Refiro-me à Biquinha. Lugar pitoresco que viu nascer muitos romances que se transformaram em numerosas proles. Biquinha que viu nascer, viver e morrer muitos dos filhos de Lençóis. Biquinha que no passado serviu de recanto para os saudosos piqueniques. Biquinha que em cujas barrancas oferecia a macia argila, matéria prima para os escultores de outrora. Hoje, apenas algumas árvores de uma pequena praça a circundam, mas no passado era cercada de arbustos verdes,  floridos. Nas copas mais altas, uma orquestra de sabiás da laranjeira, sanhaços, azulões,  e outros pássaros canoros dava o tom para muitos idílios? Muitos amores brotaram aos pés dos imensos jacarandás, ipês, cabriúvas e berobas....outros, no entanto,  não prosperaram, mas vêm à memória como uma doce lembrança.  Não sei se estou exagerando  no saudosismo, até porque não vivenciei isso que estou escrevendo, apenas estou relatando fruto de prosas que sempre mantenho com as pessoas mais antigas.  Um grande amigo meu costuma dizer que tem prazer em dizer que é saudosista. Nesse aspecto, sem constrangimento, confesso que penso igual a ele. Do alto do meu pouco mais de meio século de vida, dos quais, oitenta por cento dedicados à arte de pesquisar e escrever senti-me na obrigação de falar sobre a nossa querida Biquinha. Penso que ela é parte integrante da história de nossa cidade que em 2008  comemorou 150 anos de vida. Ela justifica um ditado que há muitos anos é lembrado aqui na terrinha: “Quem bebe água da Biquinha nunca mais deixa Lençóis”.

A acanhada e importante ascensão das mulheres

Desde que se tem conhecimento da existência do homem na face da terra, todas as posições ou cargos de destaque são ocupados por alguém do sexo masculino. No transcorrer dos anos coube ao homem tomar as decisões importantes, sobretudo aquelas que norteiam os destinos de um povo. Em todas as áreas, há sempre a figura de um homem na liderança.

A cabra e a locomotiva

Naquele horário, infalivelmente, passava pelo local a oponente locomotiva que ostentava duas grandes faixas amareladas e pretas.  Apitava duas ou três vezes e seguia garbosamente riscando campinas, florestas e montanhas, arrastando com aparente facilidade inúmeros vagões.  Às margens da ferrovia havia uma pastagem e num pequeno cercado de arame farpado ficava uma velha cabra que se divertia observando a passagem da locomotiva. Certo dia a locomotiva decidiu brincar com a velha cabra:

Pérolas da Informação

Sempre imaginei que para ficar bem informado teria que ler jornais, bons livros, ver alguns (poucos) programas de TV, teatro, etc, mas cheguei à conclusão que nada disso é necessário. Passei a prestar atenção nas entrevistas de treinadores e jogadores de futebol, nos comentários esportivos de ex-atletas, em discursos de vereadores, além de observar com carinho as postagens no facebook.  Sai cada pérola linda, inteligente, digna de nota.

Sonambulismo


A calmaria chega a incomodar os ouvidos. Tira o sono a falta de um ruidinho, por insignificante que seja. A noite alta e fria, o silêncio ensurdecedor fazem com que a penumbra fique com um ar fantasmagórico. Apenas o ruído das sopradas de vento, próprias do mês de agosto, se fazem ouvir quando batem na cumeeira do sombrio casarão.