terça-feira, 24 de abril de 2018

Cura pela fé!


Corria os anos 40 do século vinte, e os meios de locomoção na zona rural se restringiam a charretes, carrocinhas ou cavalo. Poucas pessoas dispunham de veículo automotor. Numa casinha humilde, no meio do mato, no sopé de uma pequena montanha, um cidadão lutava pela vida em seu leito de morte. Sofria com muitas dores e seu estado piorava a cada instante.
Era necessário que alguém o levasse para atendimento médico na cidade mais próxima, 6 ou 7 quilômetros distante. Acontece que naquela noite, além de não haver nenhum veículo à disposição das três pessoas que cuidavam do doente, chovia muito e as estradas de terra estavam praticamente intransitáveis. Isso, sem contar que os fortes aguaceiros da tarde tinham levado a maioria das pontes que dava acesso à cidade. A solução seria ir a pé para cidade e uma vez lá, rezar para alguma farmácia de plantão ter um medicamento para amenizar a dor do pobre enfermo.  Assim fizeram: dois dos acompanhantes seguiram andando pelas estradas barrentas até onde foi possível chegar. Passava das 11 da noite quando chegaram à beira de um córrego onde antes das tempestades havia uma pinguela que acabou sendo levada pela enchente. Mas, decididos a ajudar o doente, arranjaram uma jeito de atravessar o arroio. Por volta de duas horas da manhã a dupla chega esbaforida, suja, esfarrapada, mas com o vidrinho de remédio nas mãos. O doente deveria tomas três doses diárias com intervalo de  oito horas. O enfermo que estava à beira da morte, tomou a primeira dose e dormiu relativamente bem aquele resto de madrugada e na manhã seguinte pediu uma xícara de café e um cigarro de palha. Assustados, porém alegres, atenderam-no. Em seguida ele pediu para se levantar da cama e pôs-se de pé e caminhou lentamente. Estupefatos, os dois que trouxeram o remédio observavam de longe. “Milagre.  Aquilo só pode ser um milagre” cochichavam. Uma semana depois, aquele doente estava em plena atividade na lavora, como se nada tivesse acontecido com ele. Todo mundo feliz com a cura repentina do doente, mas umas perguntas sem resposta deixavam os familiares curiosos. Que medicamento milagraso era aquele? Qual foi o médico que o receitou? Algum tempo depois, as duas pessoas encarregadas de buscar ajuda naquela noite chuvosa finalmente decidiu revelar toda a história: “O MEDICAMENTO QUE ELE TOMOU, NÓS PEGAMOS DA ENXURRADA”. A chuva forte e a precariedade da estrada não permitiram que chegássemos à cidade”, explicaram. Assim, o doente foi curado pela fé. Essa história é verídica. Esse fato ocorreu numa fazenda nos arredores de Lençóis Paulista na década de 40.

Benedicto Blanco

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