quarta-feira, 9 de maio de 2018

Apenas quero um abraço

Não tenho ideia de que dia seja hoje, nem quantos anos tenho, nem há quanto tempo estou aqui. Só sei que a saudade de meus filhos e netos me definha, me mata aos poucos. Nesta altura da vida, não sonho em receber presentes, não nutro aspirações ambiciosas, nem mesmo peço que o Criador acrescente dias na minha mísera existência. Gostaria apenas de receber um abraço de qualquer um daqueles que tanto amo. Já fui alegre, sobretudo quando meus filhos eram pequenos.
Já tive um lar e apesar dos parcos recursos financeiros e da carência de alimentação básica, fui muito feliz. Abdiquei com prazer de minha vida para dedicar-me àqueles que mais amo, e não me arrependo por isso. Caso eu morra hoje, não levarei comigo nenhum remorso, pois sei que fiz o possível para ver meus filhos criados. Na sua infinita bondade, Deus me contemplou com saúde e disposição para cuidar até dos filhos de meus filhos quando estes eram pequenos. Não saberia enumerar quantas noites passei em claro para cuidar da saúde daquelas crianças. Vibrei de contentamento quando vi eles darem os primeiros passos. Chorei de alegria quando eles começaram a balbuciar as primeiras palavrinhas. Quanto orgulho senti nas festinhas e eventos escolares, quando os professores os elogiavam. Mas, o tempo, que a tudo cura e ao mesmo tempo a tudo destrói e deteriora, se incumbiu de desarticular a minha família e hoje vivo nesta casa de repouso e há muito tempo não recebo visitas. Minhas limitações físicas não permitem que eu vá ao encontro dos meus familiares que por sinal, ainda moram na mesma cidade, mas minha esperança é que algum dia eles venham me ver e me tragam um abraço, mesmo que seja o último. Há dois ou três anos, quando da visita do meu filho mais velho, fiquei sabendo do nascimento do meu neto de número cinco.
Os quatro mais velhos eu até ajudei na criação, mas esse mais novinho eu nunca vi. Sei que por esses dias se celebra o Dia das Mães e eu gostaria de ganhar de presente apenas um afetuoso abraço de qualquer um dos meus filhos. Sei que não conseguirei, mas não custa nada sonhar.

Benedicto Blanco – Jornalista

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