sábado, 5 de maio de 2018

Recarregando as baterias

Confortavelmente sentado à beira do lago, encostado no caule do frondoso abacateiro que sobrevive às ações do tempo, observo as pequenas ondas provocadas pela aragem calma que sopra quase todas as tardes nesta região. À distância, o balançar das águas parece se transformar num tecido multicor esvoaçante. O cenário é deslumbrante, porém, o silêncio por aqui é absoluto, chega a ser ensurdecedor. Ouço apenas o bater das asas de um pequenino beija-flor que sobrevoa um canteiro de margaridas que alguém plantou e abandonou.
Hoje é domingo, mas sinceramente, as tardes domingueiras me deixam ligeiramente entediado, mas convenhamos, nada que um breve contato com a natureza não resolva. O gorjear de poucos pássaros que insistem em sobreviver apesar do desmatamento e dos estragos causados pelo cultivo de lavoras predatórias, serve de balsamo, como música suave que embala o sono de nenê e atenua o estresse do dia a dia dos adultos. O perfume das flores, o tremular do capim favorito que margeia as águas, a revoada de andorinhas que buscam um galho seguro para pernoitar prenunciam a chegada da noite. Para qualquer direção que se olhe, tem-se a impressão de estar diante de uma obra de arte, um quadro ou monumento que a mãe natureza pintou ou esculpiu. A beleza é estonteante, sobretudo quando o sol começa a descer no horizonte, riscando o céu azul com raios multicores que refletidos nas águas claras do lago transformam o local num cenário tão belo que imagina-se igualar-se às belezas do Paraíso.
Agora com as baterias recarregadas, lembro que quando mais jovem, aos domingos, eu preferia jogar um futebolzinho ou cartas com a rapaziada, e na infância gostava das brincadeiras da época, pião, burica, pipa, nadar no córrego Barra Grande, entre outras atividades inerentes à idade. Hoje, do alto dos meus quase setentinha, até em função das naturais e ligeiras deficiências biológicas, prefiro matar o tempo lendo um bom livro, brincando com o violãzinho que me acompanha há pelo menos cinco décadas e quando percebo que a bateria tá ficando fraca, corro para um recanto qualquer e à sombra de uma árvore faço minhas reminiscências e tento organizar um plano para ser executado no futuro. É a vida que segue. (BB)

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