quarta-feira, 9 de maio de 2018

Sonho

Perambulando pelas alamedas do meu imaginário, deparei-me com um mundo maravilhoso, paradisíaco, nunca antes por mim visto. No afã de conhecê-lo, embrenhei-me no âmago da imaginação, naveguei e ancorei meu barco em um porto seguro de uma terra mágica, encantadora, onde o amor impera, ódio não prospera e todo mundo é feliz. Nos meus devaneios, observei gente sorrindo, cantando, dançando, saltitando.
Vi pássaros voando, gorjeando, anjos cítaras tocando e arroios mansos e límpidos entre as colinas floridas deslizando. Vi gestos carinhosos, afagos, ternura, vi gente amando. Perplexo com esplendoroso cenário embriaguei-me de tanto júbilo que a cada instante saciava a minha sede de ver um mundo mais feliz. Centenas de milhares de flores, cada qual com seu peculiar perfume, impregnavam a aragem que vinha dos prados verdes e planos. O sol, com seus raios cintilantes, derretiam as gotas de orvalho que à noite pousaram no tapete de relva verde das amplas planícies. Um sonho! Um verdadeiro sonho, que lamentavelmente despareceu da minha a mente assim que eu retornei à realidade. Volto a vivenciar o dia a dia de minha vidinha pacata e observo noticiários mostrando crianças morrendo de fome, gente morando em favelas, pais definhando em filas de hospitais por falta de tratamento adequado para seus males, muitas vezes absolutamente curáveis. Vejo rios secando, peixes morrendo em virtude do descaso dos humanos. Matas desaparecendo do planeta por causa da ganância, da agricultura predatória, da irresponsabilidade dos poderes constituídos e da própria ação da humanidade. Os jornais destacam com letras garrafais a corrupção assolando o mundo, sobretudo em países onde a educação é relegada a segundo plano. Noto que nem mesmo Deus está sendo levado a sério. Em nome da fé, espertalhões acumulam fortunas explorando a ingenuidade de pessoas simples, de pouca ou nenhuma instrução. Também em nome da religião, grupos fundamentalistas matam, saqueiam, estupram e aniquilam pessoas contrárias às suas ideologias. O mundo que vi no meu sonho não era esse, com certeza. Gostaria de ter continuado no meu devaneio, pois lá naquela terra, todo mundo é feliz.

Benedicto Blanco, jornalista

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